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Bem e mal, rico e pobre, mansões e favelas, paraíso e inferno, colchões e calçadas, cobertores e jornais, automóveis e pés descalços, Rio de Janeiro. Viver ou sobreviver? Vidas totalmente opostas. É assim que se inicia o documentário “Ônibus 174” dirigido por José Padilha. A oposição se faz presente desde a primeira imagem, e vai até o fim.                                          

 

Como cenário, obtêm-se a cidade maravilhosa cheia de encantos mil, das marchinhas de carnaval, do Cristo Redentor, da praia de Ipanema, do Leblon, de favelas, dos meninos de rua.

 

Na tarde do dia doze de junho do ano de dois mil, o Brasil pára. E por muito tempo. O que era para ser apenas uma tarde comum torna-se uma infinidade de horas de aflição, conflitos, tragédias. No bairro Jardim Botânico, zona sul do Rio de Janeiro ocorre a tragédia. Sandro tenta assaltar um ônibus e acaba por manter vários reféns dentro dele, e do lado de fora, a polícia mal formada, despreparada, mas ao mesmo tempo violenta, tenta achar uma solução para que tudo isso não acabe tragicamente. E, um erro infelizmente ocorre. A polícia erra o tiro e o mesmo pega no rosto da refém Geísa. É, eu sei que ninguém e perfeito e todos podem errar, mas numa situação dessa o erro é inadmissível. Geísa morre devido a outros três disparos provenientes do seqüestrador.

 

Sandro, ator principal da vida real nasceu como todos, viveu como alguns, e morreu tarde demais. Não desejo mal a ninguém, desejo e quero que haja justiça. Sandro era um menino sem esperança alguma, sua etnia era negra, analfabeto, pobre, órfão de pai e mãe, sua casa era diferente a cada dia, podendo ser a escadaria da igreja, a marquise da padaria, embaixo da ponte, ou qualquer outro canto gelado. Sua vida foi marcada por indignação, exclusão, fúria, angústia, tristeza, perseguição e morte em um país que nunca se importou com ele. Ainda pequeno viu sua mãe ser degolada em sua frente e não pôde fazer nada, era apenas uma criança. Foi vítima da chacina da Candelária, onde foi uma das poucas crianças sobreviventes.

 

O preconceito, a esmola que deixamos de dar, o olhar repudioso. Tudo isto somado ao péssimo sistema carcerário, a superlotação dos mesmos, a despreocupação do governo e a repressão da polícia ajudam a constituir o crime.      

 

Mas nada disso é motivo para Sandro fazer o que fez. Ele não tinha autoridade alguma para fazer o que fez com as pessoas do ônibus, muito menos para tirar a vida da garota de 19 anos. O que mais causa indignação é que a polícia demorou muito a atirar no bandido. A ocorrência poderia ter durado muito menos se houvesse a interação dos atiradores de elite na hora certa. Mas, como sabemos um dos motivos para não atirarem logo no marginal, foi que o Ministério de Segurança do Rio de Janeiro, pediu para que isso não ocorresse, sendo que a mídia estava toda atenta. Alegaram que não seria nada agradável ver uma explosão de massa cefálica ocorrer num ambiente fechado. Concordo se os reféns fossem bonecos. Mas acontece que não estamos falando de bonecos, estamos falando de seres humanos, seres com vida, emoções, famílias, emprego, histórias de vidas que a qualquer momento poderiam ser apagadas da mesma forma que a borracha apaga um erro no papel. O governo prefere preservar a imagem à proteger um ser humano. As atitudes e imagens do seqüestrador nos deixaram enojados, raivosos dele e da sociedade em que vivemos. As atitudes tomadas são de um ser sem alma, sem coração. O Estado teve Sandro sob custódia durante todas as quatro vezes que ele foi preso, detido. E o que fez o Estado? Nada! Simplesmente devolveu-o para a sociedade pior do que já era. Talvez se houvesse uma intervenção do Estado em alguma dessas vezes que foi preso, eu não estaria aqui redigindo esta análise, talvez o ônibus estivesse fazendo seu itinerário normalmente, talvez Geísa estivesse indo para a faculdade, talvez todos estivessem trabalhando ou tomando um cafezinho na tarde de doze de junho do ano de dois mil.

 

De fazer o mau para tentar ganhar algo em troca, de roubos, de mortes e tráfico a nossa sociedade é composta. Sandro tinha um sonho, estudar. Mas nem fez questão de correr atrás do sonho. Percebemos que era desejo seu ao libertar um refém com uniforme e material escolar de um pesadelo que parecia não ter fim.  Mas por que ele fez isso? Será por não ter estudado? Por querer estudar? Porque Sandro não esforçou-se para realizar o sonho?

 

A prova de que a sociedade exige justiça certa, pode ser presenciada no momento em que o policial põe suas mãos no bandido. Moradores, fotógrafos, repórteres, curiosos, todos correram em direção a Sandro para linchá-lo. Mas a polícia interviu para que isso não ocorresse.

 

O que parecia um filme de Hollywood, muito bem filmado, escrito por um ótimo roteirista era nada mais, nada menos que um dos milhares casos que ocorrem diariamente no nosso País e são esquecidos.

 

Somos jogados para o submundo de nossas vidas. Não podemos mais assistir um fato desses e permanecer calados. Esse é apenas mais um filme exibido em nossas vidas, e se nada for realizado para melhoria da situação, continuará em cartaz por um bom tempo, podendo ser assistidos nas melhores cidades.

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* Texto feito no primeiro semestre (2007) da faculdade, para a disciplina de Sociologia Geral e da Comunicação.

 

Indústria Cultural

Sete Pecados é uma novela escrita por Walcyr Carrasco. A mesma é exibida as 19 horas na emissora Globo, e tem como tema principal os sete pecados capitais.Nesta obra é perfeitamente visível a incansável busca pela beleza e juventude. A personagem Rebeca, interpretada por Elizabeth Savala, já fez o possível e o impossível para tornar-se mais bela e jovem. A personagem já passou por inúmeras lipoaspirações, próteses de silicone, injeções de Botox, cirurgias plásticas, e extravagantes mudanças de visual. A personagem Rebeca passa a ser uma ideologia para várias telespectadoras. Notamos então a aparição da Indústria Cultural, que segundo Adorno, é a integração deliberada a partir do alto de seus consumidores. Para o criador deste termo tudo se torna negócio. A Indústria Cultural tem por intenção obscurecer a percepção de todas as pessoas, principalmente daqueles que são formadores de opinião. Desde o dia em que a novela teve seu primeiro capítulo exibido, quantos implantes de silicone foram realizados? Quantos telespectadores mudaram seu nariz? Qual foi o aumento nas aplicações de toxina botulínica? Houve uma cena, também nesta novela, que despertou-me atenção. Beatriz, personagem de Priscila Fantin, é uma personagem de classe alta, possui muitos bens materiais. Há uma cena em que Beatriz se encanta com um novo perfume da marca brasileira de cosméticos Avon. Foi uma tremenda propaganda. Agora questiono: na realidade é assim? Você acha mesmo que uma pessoa da classe alta como a Beatriz, geralmente usa perfumes Avon? Você acha que a Priscila Fantin particularmente usa Avon ou fragrâncias importadas? Creio que não seja este o público principal da empresa Avon, e sim a classe média. Então porque Beatriz estaria usando Avon? Com certeza nota-se novamente nesta novela a forte presença da Indústria Cultura. Quantas mulheres neste imenso país compraram e estão usando o “perfume da Beatriz de Sete Pecados”? Quantas delas foram manipuladas pela mídia? Vale ressaltar que a Indústria Cultural baseia-se em proporcionar ao ser humano, necessidades. Mas não necessidades necessárias para se viver dignamente, e sim as necessidades do sistema vigente. A partir disto, o consumidor viverá sempre insatisfeito querendo sempre consumir mais, e por sua vez, o campo do consumo se torna cada vez maior. A produção realizada pela Indústria Cultural é centralizada no interesse lucrativo.Por fim, a Indústria Cultural ao criar um padrão faz dela a própria ideologia. Os valores passam a ser regidos por ela. Até mesmo a felicidade do ser humano é influenciada e condicionada por esta cultura.

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Texto produzido na aula de Teoria da Comunicação – 2º Semestre/2007.

* Imagem: http://casadaliberdade.files.wordpress.com/2007/10/cultura.jpg

  Para tornar-se um excelente e conceituado profissional de Relações
Públicas, alguns quesitos são de extrema importância. Como exemplo
disto podemos citar: a importância de ser dominador da Língua
Inglesa, e principalmente escrever e falar corretamente a nossa
língua.
   Hoje, ao contratar um profissional desta área torna-se requisito o
domínio de uma segunda língua. Baseado nesta afirmação ocorre-me um
questionamento. Estamos no Brasil, país que tem como língua oficial o
português, como se pode exigir com tanta precisão o domínio em outra
língua, se muitos nem dominam a nossa própria língua?
   O inglês, aqui, é igual para todos, já o português pode tornar-se o
diferencial!
   Suponha que você é dono de uma empresa e está precisando contratar
um profissional de Relações Públicas, quem você contrataria: um
“expert” na Língua Inglesa, mas sem habilidade e competência alguma
para escrever, e com uma fluência verbal precária, ou uma pessoa que
sabe pouco da Língua Inglesa, mas em compensação, fala e escreve
super bem e produz artigos ótimos? Se você ficou com a segunda opção,
concorda então, que, o português pode ser sim um diferencial, e que
deveria ser tão ou mais importante quanto à outra língua quase sempre
exigida. De que adianta ser “doutor” em inglês e não saber falar e
escrever o português corretamente, de acordo com as regras
gramaticais?
   Por estes motivos, penso que na ementa de qualquer curso que seja,
a disciplina de Português é, sem questionamento algum, a disciplina
mais importante. Afinal, estamos no Brasil, temos como prioridade o
domínio na nossa língua, e deve-se ter em mente, que o profissional
que estiver melhor habilitado nela, deixará muitos concorrentes para
trás na hora da sua contratação.

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Primeiro texto que fiz na faculdade. Matéria: Língua Portuguesa – 1ºSemestre – 2007.